O Templo da Humanidade

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Fachada principal do Templo da Humanidade

O Templo da Humanidade foi o primeiro prédio religioso no mundo construído para abrigar o culto da Religião da Humanidade. Sua arquitetura e decoração obedecem às regras estabelecidas por Auguste Comte para os templos positivistas. A construção se estendeu de 1891 a 1897, sendo o Templo inaugurado no dia 1º de janeiro, que corresponde ao dia da Humanidade no calendário positivista.

 

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Inauguração da nave, em 1897

Do alto do portão que dá acesso ao Templo, pode-se ler a inscrição, em letras de ferro fundido: “Os vivos são sempre a cada vez mais governados pelos mortos”. A frase faz referência aos ancestrais, necessariamente a cada dia mais numerosos, aos quais a Religião da Humanidade presta homenagem em seus cultos. Na escadaria que leva ao vestíbulo, placas colocadas sobre os degraus remetem a classificação das ciências segundo Auguste Comte: Matemática, Astronomia, Física, Química, Biologia, Sociologia e Moral.

A fachada principal, de inspiração neoclássica, é uma réplica do Panthéon de Paris, monumento onde estão enterrados os grandes personagens da história da França. Suas 18 colunas de concreto suportam um frontão triangular ; o friso ostenta a máxima positivista: “O amor por princípio e a ordem por base, o progresso por fim”. Sobre as três portas principais constam outras máximas importantes da doutrina positivista: “Viver às claras” (ensinamento prático da moral positivista, no sentido de viver na transparência de seus atos), “Viver para outrem” (alusão ao altruismo, palavra inventada por Auguste Comte, que fundamenta sua moral) e “Ordem e Progresso” (princípio político da moral positivista). As fachadas laterais, de pedras e tijolos aparentes, lembram a arquitetura industrial inglesa.

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A rosa-dos-ventos indica a direção de Paris

No piso do pórtico, uma rosa-dos-ventos indica a direção de Paris, cidade-santa da religião positivista para a qual todos os templos devem estar direcionados – tal exigência não pôde ser cumprida em função da orientação do lote onde foi construída a igreja.

No interior do Templo, a nave central é rodeada por 14 capelas laterais, correspondentes aos 13 meses do calendário positivista, mais uma dedicada à figura feminina. Cada capela expõe o busto de uma das 364 personalidades que compõem o panteão de Auguste Comte, nas 13 áreas de conhecimento identificadas por ele. No fundo, o altar-mor expõe uma imagem da Humanidade de Décio Vilares e o busto de Auguste Comte, e um verso da Divina Comédia de Dantes referente à Virgem Maria.

Os personagens representados nas capelas são:

Moisés (teocracia inicial) ; Homero (poesia antiga) ; Aristóteles (filosofia antiga) Arquimedes (ciência antiga) ; César (civilização militar) ; São Paulo (catolicismo) ; Carlos Magno (feudalismo) ; Dante (epopéia moderna); Guttenberg (indústria moderna) ; Shakespeare (drama moderno) ; Descartes (filosofia moderna); Frederico da Prússia (política moderna) ; Bichat (ciência moderna); Heloísa (representação feminina)

Até o desabamento do telhado, em março de 2009, o Templo da Humanidade abria aos domingos de manhã para as prédicas. O prédio está atualmente interditado pela Defesa Civil. Por conta de sua importância histórica, ele é tombado nas três esferas federal (2010), estadual (1978) e municipal (2014).