A Religião da Humanidade

clotilde de vaux

Clotilde de Vaux inspirou a Religião da Humanidade

Na Igreja Positivista do Brasil se pratica a Religião da Humanidade, doutrina criada a partir dos preceitos do Positivismo pelo filósofo francês Auguste Comte (1798-1857). Trata-se de uma religião agnóstica, não transcendental, fundamentalmente humana, onde se presta homenagem aos grandes homens cujo talento e pensamento marcaram a Humanidade. Na iconografia positivista, a Humanidade é representada por uma criança nos braços de uma figura feminina que tem as feições de Clotilde de Vaux, grande amor platônico e musa inspiradora de Auguste Comte.

A religião positivista foi trazida para o Brasil por intermédio de Miguel Lemos e Teixeira Mendes. Ambos viajaram para Paris em 1877, após terem sido expulsos da Escola Politécnica devido a suas opiniões políticas – já fortemente influenciadas pelo pensamento de Comte. Lá frequentaram os meios positivistas, muito atuantes na Europa naquele fim de século, e aderiram à Religião da Humanidade.

auguste comte

A religião de Auguste Comte proliferou em muitos continentes

De volta ao País, a dupla trabalhou ativamente na divulgação da doutrina religiosa de Comte, que foi oficialmente fundada por Miguel Lemos em 1881.

Embora a Religião da Humanidade tenha prosperado em diversos países da Europa, nas Américas e na Ásia, foi no Brasil que ela recebeu o primeiro templo exclusivamente dedicado a seu exercício. Também foi provavelmente este o país onde ela ganhou maior número de adeptos, e causou impacto decisivo em suas instituições e reformas políticas. No Brasil, subsistem dois outros núcleos religiosos positivistas, em Porto Alegre (Rio grande do Sul) e Curitiba (Paraná).

Fonte: Revista História, 21 setembro 2007,  A Humanidade como Deusa, José Murilo de Carvalho.