A abolição da escravidão, uma comemoração esquecida

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Fac-similie da Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel

No dia 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, pondo fim a três séculos de escravidão no Brasil. O império brasileiro sancionou a lei tardiamente, sob a pressão dos abolicionistas, das revoltas escravas e das grandes nações ocidentais.

A causa abolicionista foi uma bandeira importante do movimento positivista. Ao assumir o Apostolado Positivista, em 1881, Miguel Lemos começou expulsando os membros que eram proprietários de escravos, como o ex-presidente da Sociedade Positivista Joaquim Ribeiro de Mendonça, pois a prática não era compatível com os dogmas da religião. Os positivistas também clamaram pela indenização dos escravos, e exigiram do governo medidas para a integração dos recém-libertos no mercado de trabalho formal e assalariado. Esta foi a principal razão de sua oposição à importação de mão-de-obra estrangeira, que viria injustamente disputar este mercado com os ex-escravos.

A memória da escravidão no calendário oficial

Embora as condições de liberação dos escravos não correspondesse a essas demandas, a celebração do dia 13 de maio foi logo promovida pela Igreja Positivista do Brasil como uma das principais datas cívicas do calendário republicano, como marco importante da história brasileira. O decreto de 1890 que estabeleceu os feriados nacionais decretou assim o dia 13 de maio “Consagrado à commemoração da fraternidade dos Brasileiros“.

O feriado do dia 13 de maio existiu até dezembro de 1930, quando foi revogado por Getúlio Vargas. A memória da escravidão e da luta dos escravos permaneceu então sem comemoração durante todo o restante do século XX. Foi somente em 2011 que o Dia da Conciência Negra foi instituído, no dia 20 de novembro, em homenagem à morte do líder negro Zumbi dos Palmares. A data, todavia, não é feriado nacional em todo o país.

Fontes:
O calendário republicano e a festa cívica do descobrimento do Brasil em 1890: versões de história e militância positivista, Elisabete da Costa Leal, Revista História vol.25
A humanidade como Deusa, José Murilo de Carvalho, Revista História n.25 Julho 2005


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Os 134 anos da Igreja Positivista do Brasil

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Placa de mármore da Sala Daniel Encontre, Templo da Humanidade

Foi no dia 11 de maio de 1881, há 134 anos, que Miguel Lemos (1854-1917) fundou a Igreja Positivista do Brasil. Diretor da extinta Sociedade dos Simpatizantes do Positivismo, de tradição littreísta (facção de discípulos de Auguste Comte que rejeitava sua doutrina religiosa), ele se converteu à Religião da Humanidade após uma viagem a Paris, em 1877.

De volta ao Rio de Janeiro, Miguel Lemos reformou a Sociedade Positivista e transformou-a em Apostolado. A Igreja Positivista do Brasil desenvolveu então intenso proselitismo religioso, visando divulgar suas ideias e seu programa político para modernizar a sociedade brasileira. Como Comte, Lemos acreditava no impacto da doutrina para converter o novo proletariado ao espírito cívico promovido pela Religião da Humanidade. Entre 1881 e 1889, a Igreja Positivista produziu nada menos que 71 publicações exigindo a secularização das instituições, a implantação da República e a abolição da escravidão, pautas primordiais dos Positivistas neste final de século. No século seguinte, a instituição viria ainda a influenciar longamente a República Velha pela ação de homens de estado adeptos ou simpatizantes da doutrina.

O Positivismo, na sua interpretação laica ou religiosa, teve propagação importante em vários outros países na virada do século passado: além de França e Inglaterra, ele se disseminou nos Estados Unidos, México, Chile, incorporando-se a aspirações políticas locais. No Brasil, ele ganhou excepcional longevidade, sendo praticado por seguidores religiosos até hoje.

Fonte: Revista História, Janeiro de 2006, Reforma, ordem e progresso, Angela Alonso

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O rosto de Tiradentes

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Décio Villares criou o primeiro rosto de Tiradentes, 98 anos após sua morte

O feriado de Tiradentes (dia 21 de abril, ou 21 de Arquimedes segundo o calendário positivista) foi instituído no calendário oficial republicano por indicação de Raimundo Teixeira Mendes, apóstolo da Igreja Positivista do Brasil. Trata-se da primeira festa republicana celebrada após a Proclamação da República, no ano de 1890.

Para a ocasião, Décio Villares, pintor oficial da Igreja Positivista do Brasil, criou o semblante que se impôs ao longo do tempo na representação do herói nacional, de barba e cabelos longos, em evidente referência à imagem de Cristo.

Este retrato foi a primeira ilustração do rosto de Tiradentes, realizada 98 anos após a sua morte. Executado em litografia, ele foi distribuído à população presente na celebração da primeira festa cívica brasileira.

O retrato original do primeiro rosto de Tiradentes faz parte do acervo da IPB, assim como o leito que pertenceu ao mártir republicano, adquirido pelos positvistas no século 19.


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Nasceu… a Associação de Amigos do Templo da Humanidade!

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Primeira reunião oficial da Associação dos Amigos do Templo da Humanidade, no pórtico do prédio histórico

Esta semana foram enfim oficialmente registrados os estatutos da Associação dos Amigos do Templo da Humanidade. A iniciativa é liderada por três notórios defensores do Templo da Humanidade:

  • Luiz Edmundo Costa Leite, na qualidade de Presidente, é Secretário de urbanismo e habitação da Prefeitura de Caxias e, por seus laços familiares, um ilustre conhecedor da memória do positivismo.
  • Jérôme Chardonnet, na qualidade de Secretário Geral, é guia de turismo e há anos empenha-se em incluir o Templo da Humanidade na rota turística da cidade, trazendo grupos de turistas, em sua maioria franceses, para conhecer a história do prédio.
  • José Marconi, na qualidade de Tesoureiro, é Presidente da Associação AmaGlória e um dos mais ardentes militantes cariocas pela preservação do patrimônio histórico da cidade.

A Associação dos Amigos do Templo da Humanidade tem por finalidade promover o processo de restauração e revitalização do Templo da Humanidade e contribuir para divulgação de seus acervos e de sua história, cabendo em especial:

  1. sensibilizar o grande público à importância histórica, arquitetônica e patrimonial do
    prédio e de seus acervos;
  2. contribuir na constituição de uma rede de relações para apoiar o projeto de restauração
    e revitalização do Templo da Humanidade e viabilizar suas propostas culturais perante a personalidades, escolas do bairro, universidades, instituições museais, organismos de preservação, dentre outros;
  3. estimular a integração cultural do Templo da Humanidade com o bairro, o Município,  o Estado, o País e o exterior;
  4. incentivar e apoiar o processamento técnico, a conservação e a restauração dos acervos museológico, bibliográfico e documental do Templo da Humanidade;
  5. fomentar e apoiar a realização de atividades culturais que tenham relação com os interesses do Templo da Humanidade;
  6. estabelecer e manter intercâmbio com outras associações e entidades afins, no País e no exterior;
  7. angariar recursos financeiros, materiais e técnicos para a realização dos objetivos da
    Associação dos Amigos do Templo da Humanidade.

Quem quiser participar desta empreitada, é só entrar em contato pelo email da associação que em breve vai lançar sua primeira circular. Aqueles que aderirem nos três primeiros meses ganham o estatuto de membro fundador. Os estatutos da associação estão disponíveis para consulta neste link.

Associação dos Amigos doTemplo da Humanidade
Endereço: Rua Benjamin Constant, 74
Telefone: (021) 2252 0433
Email: amigostemplohumanidade@gmail.com


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Estudantes americanos visitam o Templo da Humanidade

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Na quinta-feira 12 de março, o Templo da Humanidade recebeu a visita de alunos de graduação da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. O grupo de 16 estudantes estava no Rio de Janeiro no quadro de uma viagem de estudo, com tema “O urbanismo cosmopolita na arquitetura carioca”, conduzida pelos professores John Tresch (professor de História e Sociologia da Ciência) e e Daniel Barber (professor de Arquitetura e Design).

Além de exemplares da arquitetura colonial, eclética, modernista e contemporânea, os estudantes se interessaram pelos lugares onde o positivismo deixou rastros na arquitetura e no urbanismo da cidade, como na Glória, onde fica o Templo da Humanidade, e na Cinelândia, onde está o monumento a Floriano Peixoto.


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Março é o mês da Filosofia Antiga…

IMG_0259 light… e o dia de hoje, é mais especificamente o 21 de Aristóteles, ou ainda o dia de Sócrates, no calendário positivista.

A imagem ao lado é uma das 14 que ornam a Chapelle de l’Humanité, em Paris, e ilustram os grandes tipos do calendário positivista.

A relação completa dos 13 meses e dos 364 personagens que compõem o calendário positivista, você encontra aqui, no blog de Gustavo Biscaia de Lacerda.


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Palestra sobre a escultura pública e o positivismo no Brasil

IPB-36_lightNesta quarta-feira, 11, a historiadora Elisabete Leal explora as relações entre engajamento político, arte pública e positivismo em conferência na Maison Auguste, em Paris.  A apresentação examina principalmente a produção iconográfica de Décio Villares e Eduardo de Sá, entre 1890 e 1930.

Elisabete Leal é especialista em iconografia positivista. Sua tese de doutorado Os Filósofos em tintas e bronze: arte, positivismo e política na obra de Décio Villares e Eduardo de Sá, pela UFRJ, está disponível em português neste link.

CONFÉRENCE

“Artistes engagés: statuaire publique et positivisme au Brésil (1890-1930)”

par Mme Elisabete LEAL,
Docteur en histoire, Professeur Adjointe d’Histoire
Université Fédérale de Pelotas – Rio Grande do Sul – Brésil

Mercredi 11 mars 2015, à 17h30 à La Maison d’Auguste Comte – 10, rue Monsieur le Prince, 75006 PARIS – 1er étage gauche

La conférence examinera la façon dont les idées d’Auguste Comte sur les arts visuels et sur une Renaissance Positiviste ont été mises en œuvre par ses disciples français et brésiliens. Même au Brésil, l’appropriation de la philosophie de Comte a pris une forme syncrétique et s’est accompagnée d’écarts de sens, de déformations et d’ajustements. On analysera les conditions de développement de l’art positiviste au Brésil, et la façon dont les paramètres ont été partiellement donnés par le monde des arts français et sa relation avec le positivisme. On s’arrêtera en particulier sur la dimension politique induite par l’engagement positiviste des artistes. On prendra comme exemple le travail réalisé entre 1890 et 1930 par Decio Villares et Eduardo de Sá, en particulier dans la statuaire publique. Les commandes, les négociations entre le commanditaire et l’artiste, le produit visuel illustrent les usages politiques d’œuvres qui faisaient partie d’une ritualisation civique républicaine.

Maison d’Auguste Comte
10, rue Monsieur le Prince, 75006 PARIS
Entrée libre
Renseignements au 01 43 26 08 56 ou augustecomte@orange.fr

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Palestra na Sorbonne-Nouvelle sobre o Positivismo e suas influências franco-brasileiras

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O museólogo André Angulo, durante visita do Circuito Sítios Históricos da República

André Andion Angulo, museólogo do Instituto Brasileiro de Museus lotado no Museu da República, foi convidado para dar uma palestra na Université Sorbonne Nouvelle (Paris 3), sobre “A influência francesa nos símbolos da República Brasileira através do Positivismo e a memória deste em Paris efetuada por brasileiros“.

O museólogo adiantou que sua fala irá focar na criação da bandeira brasileira, desmistificando o real significado do verde e do azul; na Marianne, que está presente nas notas do nosso dinheiro; e na idealização de Tiradentes como Jesus Cristo. Outro ponto abordado será a memória do Positivismo na França construída por brasileiros, através do exemplo de três legados: a Capela da Humanidade, a Maison Auguste Comte, e a estátua da Humanidade que ornamenta o túmulo de Comte, no cemitério de Père Lachaise (réplica da do Monumento a Benjamin Constant, no Rio de Janeiro). André Angulo também irá apresentar o Circuito Sítios Históricos da República, que integrava o Templo da Humanidade, e foi uma iniciativa dos museus da República e Casa de Benjamin Constant.

A palestra acontece no Centro de Pesquisas sobre os Países Lusófonos do Departamento de Estudos Ibéricos e Latino Americanos da Sorbonne Nouvelle, em Paris, na próxima terça, dia 3 de março, às 16 horas. O resumo da palestra está disponível neste link.


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Fevereiro é o mês da Poesia Antiga

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Fevereiro é o mês da Poesia Antiga, representada por Homero. A imagem ao lado é uma das 14 que ornam a Chapelle de l’Humanité, em Paris, e ilustram os grandes tipos do calendário positivista.

A relação completa dos 13 meses e dos 364 personagens que compõem o calendário positivista, você encontra aqui, no blog de Gustavo Biscaia de Lacerda.


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Cult of Comte’s positivism claims key role in Brazil

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Auguste Comte: His positivist philosophy looks to science to understand the workings of society. Photograph: Prisma/UIG/Getty Images

Em novembro passado, a IPB recebeu a visita do jornalista irlandês Tom Hennigan, interessado na história do positivismo no Brasil.

O resultado da apuração está na reportagem abaixo, publicada no The Irish Time: Cult of Comte’s positivism claims key role in Brazil

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O jornalista conversa com Clóvis Nery, apóstolo da IPB


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